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Atchim? Caipirinha!

Meus camaradas de noite adentro já começaram a reclamar do delicioso clima de Curitiba. E olhe que só estamos só em abril. Me digam em que outro lugar do mundo amanhece inverno, é verão ao meio-dia, primavera no fim da tarde e outono no meio da noite? É uma experiência única. Algo para ser comemorado.Mas devo admitir que eles têm um pouco de razão. O friozinho da madrugada é algo realmente chato quando se leva essa vida boêmia. Além disso, deixa os organismos mais vulneráveis prontos para um resfriado ou gripe. Mas não se preocupem, há uma solução para prevenir esse mal. A Caipirinha.

Poucos sabem, mas a Caipirinha nasceu como remédio. Em sua “fórmula” original, usada para curar principalmente resfriados, era acrescentado alho e mel. Mais tarde, quando virou drinque, esses elementos foram felizmente retirados para entrar o açúcar e o gelo. Sim, o remédio já tinha cachaça. E eis o drinque que se tornou a “cara” do Brasil pelos bares do mundo.

E não só isso. A importância da Caipirinha é tão grande que um decreto publicado no Diário Oficial da União em 2003 oficializa o drinque, assim como a cachaça, como bebidas nacionais.

A minha, a sua, a nossa Caipirinha

Mas e como fazer esse drinque protetor? Existem várias fórmulas, macetes e formas de preparo. Inclusive, há barmans que não revelam seus segredos nem ameaçados de morte. “Não revelo minha receita nem que me enfiem Kaiser quente goela abaixo”, disse para mim um colega certo dia. Realmente, um cara determinado.

Para cada fórmula, os resultados são os mais variados e atendem a diferentes paladares. Até os nomes mudam: Caipirinha, Caipiríssima (feita com Rum), Caipiroska (com Vodka), Saiquirinha (com Saquê) e até caipirinha feita de Vinho. As frutas também variam: uva, morango, laranja, maracujá, frutas vermelhas… Até o gelo pode ser modificado: já vi gente que coloca picolé picado do sabor do drinque (no caso, era uma Caipirinha de kiwi) no lugar.

Aqui vou contar como eu preparo a versão tradicional, de limão e cachaça. São meus macetes, desenvolvidos ao longo de anos e “capturados” de algumas mentes brilhantes da coquetelaria.

Receita

  • 1 limão taiti brasileiro médio
  • de 2 a 4 colheres de açúcar (conforme o gosto)
  • gelo
  • uma dose (50 ml) de cachaça

Primeiro segredo: escolher os ingredientes. O açúcar deve ser branco refinado. Os naturebas e lights que me desculpem, mas com açúcar mascavo ou adoçante não dá. Nem tentem o açúcar cristal também – ele não dissolve bem e, por mais que você adoce, o drinque fica azedo. Já o limão deve ser bem verde e ter a casca o mais lisa possível. Esses são os que têm mais suco. A cachaça deve ser de qualidade, de preferência branca. As amareladas, normalmente envelhecidas em tonéis de madeira, são melhores para serem consumidas puras. Drinques em geral usam as transparentes.

Segundo: o corte do limão deve ser longitudinal (no sentido do gomo), não transversal (as famosas rodelas). Isso se deve a dois fatores. O primeiro é que cortando assim sai mais suco. O segundo, é a necessidade de retirar a parte branca que fica no meio do limão. Ela é a maior responsável por amargar o drinque. Corte em quatro ou mais pedaços.

Acrescente açúcar e soque bem, até ficar um suco esbranquiçado. Eu gosto mais doce, e por isso normalmente vão as quatro colheres (rasas) de açúcar.

Terceiro segredo: quebre o gelo. Pedras inteiras demoram muito para dissolver e suavizar o drinque. Picadas, fazem “efeito” mais rápido. Acrescente logo após ter macerado o limão e açúcar. Em seguida, coloque uma dose de cachaça (50 ml) por cima.

Quarto e último: fica melhor quando sacode! Pegue um segundo copo “on the rocks” além daquele em que está preparando a Caipirinha e coloque com a boca sobre o outro, de modo a formar uma espécie de coqueteleira, e agite. Isso faz com que o drinque fique gelado mais rápido, misture melhor os ingredientes e dissolva ainda mais o açúcar. Só cuidado: se não for bem fechado um copo no outro há uma grande probabilidade de vazar.

Pronto! Coloque um palito para mexer e sirva. Caipirinha, um santo remédio. Mas como todo o medicamento, cuidado com a superdosagem!

E você, qual a sua receita de Caipirinha? E aquele macete, você conta para a gente? Comente!

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas

8 Comments

  • lopuch disse:

    Perfeito Celso, a unica coisa que eu mudo é na hora de agitar, em vez de um copo sobre o outro, pelo motivo de “vazar” como vc disse, eu coloco uma sacola plastica, fica tipo uma camisinha, ai da pra agitar bem e não cai uma unica gota.

  • Grande (en)sacada! Adorei a dica. Com certeza entra para o repertório a partir de agora. Só queria saber como você descobriu isso… Eu já havia tentado resolver esse problema de várias formas. Até fazia caipirinha em potes de conserva, para evitar o vazamento. Mas essa é simples e genial. Obrigado

  • mateus disse:

    . Em algumas regiões, açúcar mascavo é usado em vez do refinado. Mesmo no Brasil, podem ser encontradas variantes com adoçantes artificiais para os preocupados com o açúcar, ou com uma grande variedade de frutas. Além disso, a cachaça algumas vezes é substituída por vodca (caipiroska, marca registrada pela Smirnoff), Licor Beirão (conhecido por caipirão), ou rum (caipiríssima, marca registrada pela Bacardi). Caipirinhas de saquê ou vinho (caipivinho) também são feitas. Em Cabo Verde, a caipirinha é também preparada com grogue, uma bebida forte local.

    experimentem fazer com outras frutas JUNTO com o limão.

  • Mateus, gostei do comentário. Sobre as variedades, já tinha falado no post. Agora, açúcar mascavo na caipirinha é algo interessante. Tenho que experimentar. Assim como outras frutas junto com o limão. Algo bem exótico isso.

    O Grogue de Cabo Verde é um destilado de cana também. Por isso combina perfeitamente com a receita da caipirinha brasileira.

  • Cristian Roberto disse:

    Cheguei aqui através do bobagento e me desculpe mas, como em todos os bares que já frequentei e nos que frequento, tenho que comentar: Sempre que me perguntam ‘vai beber o quê?’ e eu respondo ‘uma caipirinha e uma cerveja X (aonde X é a marca da cerveja que quero naquele momento)’ quase sempre recebo uma outra pergunta: ‘caipirinha de quê?’ e é nessa hora que chamo a atenção (claro que com todo o respeito e com a intenção de explicar) do barman/garçon: ‘Se eu pedi caipirinha é CAIPIRINHA, não é com vodka, não é com adoçante, não é de frutas…’ Caipirinha, como diz o decreto, ‘é feita exclusivamente de cachaça, limão e açúcar’. Todo e qualquer outro ingrediente (exceto o gelo, óbvio) desconfigura a classificação de caipirinha. ‘Se eu quisesse outra coisa teria pedido uma batida de uma outra fruta qualquer com outra bebida qualquer, batida não é caipirinha.’ Não é querer ser chato mas ora caipirinha só é caipirinha com cachaça, todo esse resto é invenção de quem tem preconceito contra cachaça, pois quem bebe cachaça é cachaceiro (sinônimo de pessoa que bebe em excesso qualquer coisa alcoólica), e prefere beber outras só porque vieram de outro país. Na Rússia existe tanto as vodkas baratas como as nossas tatuzinho, tres fazendas…, como as caríssimas igual às nossas cachaças principalmente da região de Salinas que podem custar centenas de reais. Outra coisa, se todas as misturas de frutas com bebidas alcoólicas são ‘caipirinhas’ não acabam desvirtualizando o próprio ideal que é de manter esta mistura singular, de limão, açúcar e cachaça, protegida com o status de bebida nacional?
    O mais interessante de tudo é que em todas as vezes que peço caipirinha sempre vem alguém querendo dar uma bicadinha e logo após ouço: ‘nossa, tá muito boa!’ Claro, há tanto tempo as pessoas só tomam essas outras misturas que quando experimentam a verdadeira relembram ou descobrem, por causa do preconceito e por isso nunca tinham tomado (sim é verdade, e não foram uma ou duas vezes que eu vi), que é muito mais saborosa. A vodka, por exemplo, não dá gosto então é como se estivesse tomando uma limonada turbinada. Opinião minha, mas acho que bem fundamentada, não?
    Abraços a todos!!

  • Olá Cristian. Sua opinião é muito próxima do que fez o Estado. Há um decreto brasileiro que regulamenta a caipirinha, dizendo que só pode ter esse nome o drink com essas e aquelas descrições. Acho que é uma tentativa válida de preservar um jeito de se fazer, dizer que há um parâmetro.

    Agora, não dá para evitar que as pessoas inventem a caipiroska, a caipiríssima, coloquem morango, misturem com carambola… Cada um tem seu gosto. É uma questão criativa, viva, dinâmica. É a prova que a bebida e tão brasileira que cada brasileiro se sente a vontade para mexer, alterar, criar com ela.

    E não podemos esquecer, a própria caipirinha de cachaça que você tanto valoriza na fórmula “original” sofreu o mesmo processo criativo a partir de um remédio para resfriado…

    Enfim, é a criatividade, a variedade, que elabora e reelabora as regras, e não há regra que limite a criatividade.

  • Anonymous disse:

    Luiz Celso:
    caipirinha faço com cachaça,limão descascado, açucar refinado e gelo.
    Em uma coqueteleira, amasso o limão com o açucar e ponho uma pitada de canela em pó.
    Acrescento um pouco de água (filtrada e gelada) e completo com a cana. Misturo bem e sirvo em copo de cristal.
    Experimente a canela e o copo de cristal,ambos fazem toda a diferença.
    Murilo Celso

  • Opa! Ótimas dicas Murilo. A da canela em especial é super interessante. Abraços

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