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Bruno Moreno conta o segredo do sucesso da Cervejaria Dogma

By 29/09/2016abril 18th, 20204 Comments

A união de três cervejeiros e suas cervejarias que em um ano virou a marca de cerveja favorita daqueles que gostam de rótulos lupulados e de qualidade. A Cervejaria Dogma entrou no mercado disposta a arriscar e conquistou o paladar dos fãs da bebida, mesmo desagradando um pouco o bolso. Com uma marca que se consagrou tão rápido, com rótulos impactantes, perguntamos para um dos sócios: qual o segredo dessas cervejas?

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“Primeiro é necessário manter uma boa proteção do oxigênio (por isso optamos muitas vezes pela lata) e ter coragem de apostar em um produto mais caro com uma margem menor. Isso do ponto de vista empresarial é complicado, pois você vende menos, porque custa caro e ganha menos também. A nossa aposta foi que venderíamos mais devido à qualidade do produto, e essa aposta deu certo”, afirmou Bruno Moreno, sócio-proprietário da cervejaria Dogma. As quantidades de lúpulo utilizadas nas receitas da Dogma Rizoma, Citra, Mosaic, Touro Sentado e Hop Lover são grandes e trazem desafios. “Quando se utiliza a quantidade de lúpulo que nós estamos usando existem alguns desafios: primeiro a perda no processo é maior; segundo gastamos mais dinheiro, pois lúpulo custa muito caro! Isso somado a carga tributária absurda que temos hoje deixa nosso produto custoso”, explica Bruno.

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Custo alto X Oportunidade

O que muitos enxergam como empecilho a Cervejaria Dogma viu como uma oportunidade. O cuidado com a qualidade das cervejas trouxe uma notoriedade espontânea para a marca, que hoje produz cerca de 6 mil litros mês na fábrica da Dádiva, que é triplo da sua produção inicial. Mas esse não era a única meta que eles queriam alcançar. “Planejamos principalmente volumes mensais que estamos conseguindo atingir. Mas, um dos objetivos que tínhamos era conseguir alcançar o posto de melhor cervejaria brasileira pelo RateBeer no nosso primeiro ano, o que conseguimos (risos). Agora vem o desafio de entrar entre as 100 melhores cervejarias do mundo”, avisa Bruno.

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Não foi só a qualidade que levou a Cervejaria Dogma aos altares cervejeiros. O cuidado com a identidade da marca também é visível. “Nós demos muita sorte de conhecer por acaso o Vinícius Sales e o Rubens da agência FORM. Eles desenvolveram a nossa marca e com as ilustrações do Caio Stolf conseguimos uma identidade muito forte. Eles são parte fundamental na nossa história.”, conta Bruno, que é o responsável pelos nomes das cervejas e pelo briefing.

Nem só de lúpulos vive a Cervejaria Dogma

Mas, nem tudo são lúpulos. Apesar da onda lupulada ter tomado conta das receitas da cervejaria, Bruno adiantou que mais estilos serão explorados. “ Mesmo focados nas IPAs (e “hop-fowards” no geral) não queremos ser uma cervejaria que só fica nisso. Ainda esse ano vamos lançar Saison, Sours e mais uma Imperial Stout”, ressaltou. Por hora, o novo lançamento da Cervejaria Dogma é mais uma Imperial IPA, da série single hops, chamada Azzaca Lover. (Confira aqui informações sobre o lançamento). Sem malte caramelo, com uma carga de 20 gramas de lúpulo por litro na fabricação, a novidade chega no mercado amanhã e conta com a mesma base de receita utilizada para a Citra e Mosaic. “O lúpulo Azzaca traz muitos aromas frutados,entre eles frutas amarelas, abacaxi e manga. Pra complementar nessa produção usamos o Vermont ale, que conferiu um aroma bem perceptível de pêssego”, detalhou Bruno.

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Para o futuro eles esperam manter o crescimento da empresa, conseguir reproduzir suas cervejas que conquistaram tanto o público e continuar apostando na alta qualidade. Infelizmente a carga tributária é um grande empecilho e Bruno alerta que mesmo se as microcervejarias conseguirem a diminuição da tributação federal, a tributação estadual ainda é muito alta. “Talvez com o Simples a gente consiga um grande avanço, mas dependendo de como isso for formatado pode não mudar muito. Se o ICMS não entrar, o Simples não será uma grande vitória, já que aqui em São Paulo só o ICMS representa 52% de tributação. Eu não quero que minha cerveja seja exclusividade para poucos, quero que o maior número possível de pessoas tenham acesso a elas, mas infelizmente pra produzir as cervejas que queremos produzir não conseguimos um preço muito acessível ainda”, finaliza Bruno.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas

4 Comments

  • José Carlos Pardal disse:

    Eu só queria poder beber Dogma no preço daquela placa da primeira foto. Aqui em Belém variam de 32-36 reais 400ml.

    • celso14 disse:

      Hhahaahaha… Acho que esses foram o preços da festa deles, José Carlos! Mas tem razão: o preço fica bem salgado quando sai do estado. Que dirá em Belém!

    • Tiago Gomes disse:

      Em Sampa também é esse preço, pelo jeito é tabelado, essa foto foi em uncontro cervejeiro em SP, Cartel Cigano, realmente com preços mais convidativos, notar na foto que é chopp 300 ml.

    • Taberna disse:

      Como disse o Celso14, quando sai do estado a coisa complica. Um dos fatores é o alto ICMS. Estamos em Minas Gerais e as cervejas de SP chegam bem mais caras aqui. O mesmo ocorre com as do Sul. É complicado! Nos alivia o fato de MG ter inúmeras boas cervejarias hoje em dia.

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