Cerveja vegana: o que torna a bebida própria para consumo dos veganos?

Recentemente a Guinness anunciou que irá se tornar uma cerveja própria para veganos e não utilizará mais nenhum produto de origem animal na fabricação. Segundo a cervejaria, as mudanças são para atingir novos consumidores. E o que faz uma cerveja ser ou não vegana? E como identificar se a bebida pode ser caracterizada como uma cerveja vegana?

No caso da Guinness, o produto para filtrar as suas cervejas é derivado das bexigas natatórias de peixes. Esse produto auxilia na retirada das partículas de proteína e fermento através do processo de aglutinação e uma das suas  funções é deixar a cerveja com aspecto límpido.  Ele é removido da bebida, porém, o fato de utilizar algum processo que envolva um componente de origem animal faz com que deixe de ser um produto vegan friendly.

guinness vegana

A legislação brasileira não permite a utilização de produtos de origem animal na composição da cerveja, ou seja, na sua lista de ingredientes. Contudo, a utilização dos produtos para filtragem de origem animal são permitidos. Eles são considerados coadjuvantes de tecnologia de fabricação, pois não são empregados como ingredientes de consumo.

Coadjuvante de tecnologia de fabricação é toda substância, excluindo os equipamentos e os utensílios na elaboração e/ou conservação de um produto, que não se consome por si só como ingrediente alimentar e que se emprega intencionalmente na elaboração de matérias-primas, alimentos, ou seus ingredientes, para obter uma finalidade tecnológica durante o tratamento ou elaboração. Deverá ser eliminada do alimento ou inativada, podendo admitir-se no produto final a presença de traços da substância ou seus derivados. Portanto, a diferença fundamental entre aditivo alimentar e coadjuvante de tecnologia é que o coadjuvante não pode permanecer como componente do alimento deve ser eliminado ou inativado, podendo permanecer apenas traços da substância no alimento a ser consumido. Fonte: Diferença entre aditivo e o coadjuvante de tecnologia

Existem outros ingredientes no mercado que não tem origem animal para a filtragem da cerveja, como os derivados das algas e filtros com terra de diatomácea, mas cabe a cervejaria decidir qual é o melhor para a sua produção. Para os cervejeiros caseiros, que geralmente utilizam gelatina para a retirada de resíduos após a fermentação, é possível substituir pelo ágar ágar, uma gelatina feita a base de algas.

Infelizmente não consta no rótulo se é uma cerveja vegana, pois não é obrigatório de acordo com a nossa legislação, então é necessário consultar direto com o produtor. Para as cervejas importadas já foi desenvolvido um site, o Barnivore, que contém informações sobre os fabricantes de bebida. Basta colocar o nome da cervejaria, ou rótulo, que ele busca no seu banco de dados. Caso não possuam a informação, eles tem um modelo de email para enviar ao fabricante e pedem que as pessoas encaminhem a resposta para o site. Algumas marcas brasileiras estão por lá.

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Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas. Leia mais sobre ele aqui e conheça oClube BarDoCelso.com aqui.

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