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Chope Sol sem álcool até que não é ruim

Desde que a Lei Seca entrou em vigor, estipulando a tolerância zero para quem vai dirigir, a procura por bebidas sem álcool, mas que tenham um certo ar de alcoólicas, aumentou muito. A cerveja Líber, da AmBev, já é campeã de vendas nesse nicho. Mas a Femsa ainda está na briga. Tanto é que as duas fabricantes lançaram recentemente chopes sem álcool: o chope Líber e o chope Sol sem álcool.

Experimentei o Sol esta semana no Zapata Mexican Bar, aqui em Curitiba. E é sobre isso que vou falar. Mas antes, cabem algumas palavrinhas para esclarecer certas complicações que podem aparecer.

Como vocês sabem, e simplificando, o chope é a cerveja que não passa pelo processo de pasteurização. Isso deixa a bebida com mais sabor, mas também mais perecível. A expectativa das duas fabricantes com a novidade é alavancar ainda mais as vendas dentro deste nicho não-alcoólico, que já está aquecido e promete muito no verão. Mas, para efeitos desse artigo, vou chamar tudo de cerveja.

O segundo ponto é: não, não sou masoquista para ficar tomando cerveja sem álcool por aí por puro prazer. Acontece que sofri um acidente recentemente e quebrei a perna. Volte e meia sou obrigado a tomar remédios que não podem ser combinados com etílicos. Então faço o que posso para me sentir melhor e isso me torna quase uma autoridade no assunto (leia aqui algumas dicas para enfrentar a noite sem álcool). Hehehe.

Terceiro, sobre a isenção de álcool: a Líber é hoje a única cerveja com 0% de graduação alcoólica fabricada no país. Então as outras marcas fazem propaganda enganosa? Não. Elas possuem concentração de álcool abaixo de 0,5%, o que, para efeitos da legislação brasileira, é considerado nulo. O grande problema é que com o aperto na lei de trânsito essa dose, quase homeopática, passou a ser fator relevante, principalmente para quem toma grandes quantidades.

Mas por que não tirar todo o álcool? Simples. É caro. Isso dependeria de uma mudança no processo fabril da bebida. Para obter o zero absoluto a AmBev fabrica a Líber como outra cerveja qualquer e depois retira todo o álcool por meio de um processo custoso, com maquinário importado e tudo mais. As demais marcas são fabricadas por meio do processo de fermentação interrompida, o que deixa um certo teor alcoólico, mesmo que reduzido.

Vamos ao que interessa. E a degustação?

Sim, não esqueci sobre o que esse é esse texto. O chope Sol, que está sendo fabricado em Ponta Grossa, aqui na região leste do Paraná, é produto de fermentação interrompida. Então cuidado motoristas com a quantidade. Não vão dizer depois para o guarda que não sabiam (acabei com o álibi de uma meia dúzia agora. Foi mal).

O gosto é suave. E isso é bom. Segue o estilo da Sol, o que deve garantir boa vendagem no verão para o público em geral. Além disso, é bem diferente da Bavária sem álcool, que é tenebrosa de ruim (chega a “amarrar” a boca). Também se diferencia bem da Líber, que tem um gosto muito acentuado de cereal (Sucrilhos, como dizem meus amigos).

Mas tem seu lado ruim. Quase não tem gosto de cerveja. As Largers que tomamos aqui no Brasil já são consideradas fracas para os padrões europeus (suco de cevada, ouvi certa vez de um alemão). Imagine o suave do suave. O chope chega a ser “aguado”. Isso é uma reclamação normal de todos os bebedores que se vêem obrigados a tomar as sem álcool. Mas vale especialmente para esta.

Em termos de aspecto ela se salva bem. É apenas um pouco mais clara que o chope convencional, tendo colarinho relativamente cremoso, mas que se desmancha rápido. Já o cheiro é praticamente inexistente.

Entende-se provando porque a marca Sol foi escolhida. Sendo uma das cervejas mais suaves do mercado, a quase inexistência de gosto e cheiro da prima sem álcool não ficaria tão deslocada. Mas o saldo final é bastante positivo. Ela não é ruim. E isso já é muito bom em relação ao nicho de mercado na qual concorre. Porém, para bom também não serve.

 

About Luís Celso Jr.

É jornalista, sommelier, juiz e consultor de cervejas. Fundou o BarDoCelso.com em 2006 e desde então se especializou cada vez mais, sendo hoje um dos principais e mais experientes profissionais do Brasil. Ficou em 3º lugar no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cerveja, em 2014, e 6º nas duas edições seguintes. Foi um dos representantes do Brasil na 4ª edição do Campeonato Mundial de Sommeliers em 2015. Saiba mais sobre os serviços do BarDoCelso.com ou sobre o Celso .

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