Coletivo ELA no Dia Internacional da Mulher: conheça mais sobre o grupo que produz cerveja em prol das mulheres

O coletivo ELA divulgou na última semana os números da arrecadação com a venda da ELA Barley Wine, quase R$ 10 mil, e fez a doação para a ONG Artemis – que trabalha pela promoção da autonomia feminina e prevenção e erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres. Também divulgaram a nova cerveja realizada em parceria com a Cervejaria Paulistânia, que teve a brassagem e lançamento no Eataly, feita em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Mais uma vez, parte dos lucros também será doada para uma organização voltada às mulheres. Tudo isso é resultado da união de mulheres que viram a necessidade de atuar em prol de outras mulheres e debater o machismo, na sociedade e no mercado cervejeiro.

A inquietude de algumas que atuam no mercado cervejeiro trouxe a tona um problema que ainda está tão presente na nossa sociedade: o comportamento gerado pelo machismo. Ao se reunirem e compartilharem suas histórias, elas perceberam que precisavam tomar uma atitude. Com o intuito de questionar, informar e ajudar, nasceu o coletivo ELA, sigla para empoderar, libertar e agir. A produção da primeira cerveja foi a maneira que encontraram para viabilizar o projeto, trazer visibilidade e ajudar ao próximo. Criticada por alguns, abraçada por outros e apoiada por muitos, a ELA Barley Wine cumpriu seu papel.

“É o início de algo gigante que eu imaginei que nunca ia sair do papel”, revela Fernanda Fregonesi, microbiologista especializada em leveduras e fermentação. A colaboração de todas para um objetivo em comum: a cerveja como meio de ajudar ao próximo e questionar. Seja criando conteúdo intelectual, como foi realizada durante a campanha 35 dias sem machismo na cerveja, seja fazendo da cerveja um meio de arrecadar fundos para ONGs que cuidam de mulheres, o ELA vem para ajudar.

Por isso nós pedimos para as meninas que participam do ELA que nos contassem o que o coletivo representa na vida delas. Abrimos o espaço para saber o que elas sentem ao fazerem parte do coletivo e como ele impacta na vida delas.

Jaqueline Oliveira
“Quando fui convidada para este grupo já tinha tido conversas com algumas poucas sobre o mundo da cerveja e o machismo. E de repente aconteceu! Nos juntamos, falamos a mesma língua e formamos um coletivo. Tudo pensando, desenhado e alinhado com nossas experiências dentro do mundo da cerveja gestamos e parimos o ELA. E nasceu uma cerveja que além de nos empoderar, como mulheres que atuam na cerveja, vão empoderar mulheres em situação de risco. Nem todos gostaram, posso afirmar com certeza. Em um ano de grandes perdas pessoais, participar do coletivo ELA foi significativo e me deu a certeza e a esperança de um mundo melhor para todas as mulheres. Pequenos passos foram dados, mas os ouvidos e olhos nos viram e, em alguns casos, provocamos reflexão. Não tem nada melhor que poder participar de algo tão promissor na forma de nos relacionar e gerar respeito por nossas atividades, em qualquer lugar que estejamos”.

Larissa Paschoal

“O ELA me fez encontrar um lugar que eu poderia expressar quem eu sou, meus sentimentos em relação as coisas boas que eu quero para o mundo e para as outras pessoas. O coletivo me abriu o leque de conhecimento sobre o feminismo, a sororidade, muita coisa que eu não conhecia.
Em relação ao meio cervejeiro, me fez eu encontrar o meu lugar. Encontrei tantas pessoas diferentes se unindo em prol de uma coisa boa e positiva, para ajudar outras pessoas, e isso para mim não tem preço. É um sentimento de plenitude, de você conseguir ajudar nem que seja um pouquinho, num mercado pequeno, a querer fazer diferença, e começar a ver as mudanças que acontecem aos poucos – como cervejarias pensando melhor nos rótulos, o tratamento com as mulheres nos bares – e isso para mim é muito bonito. E ver outras mulheres, gente que eu não conheço pessoalmente, formar uma força para impulsionar coisas boas. O ELA é como uma luz no meio de tanta coisa ruim que está acontecendo, é bom ver algo em prol de outros, de ajudar os outros. Eu conheci tanta gente incrível, continuo conhecendo, isso é maravilhoso”.
Aline Tiene
“Acho que por muito tempo, desde que nascemos, eles nos fazem acreditar que a gente não pode, que a gente não tem força, que somos frágeis. O ELA, através da cerveja, vem para mostrar algo que todas as mulheres têm, que é uma força, que a gente pode e deve fazer. Para mim é super emocionante ter organizado isso dentro da Dádiva e conseguir ampliar tanto, ter tanta gente aderindo ao coletivo. No começo eu e a Lu (Luiza Tolosa) não imaginávamos que tanta gente ia abraçar, o tamanho que ia se tornar o ELA. Cada crítica foi importante, pois demonstrou o quanto é preciso falar sobre machismo, trazer a pauta a tona. Num mundo que a gente vê extremismos florescendo, a violência aumentando cada vez mais, acho que quanto mais pessoas se destacarem levantando pautas de igualdade, força e empoderamento, melhor. Então o papel da ELA é essencial, não só mercado cervejeiro, mas como um todo”.

Marjorie Inoue

“Durante esses últimos anos eu queria ter uma participação maior na cena feminista. Com a criação do coletivo ELA pude conhecer várias meninas do meio cervejeiro, saber das mesmas dificuldades, ter as mesmas vontades de mudar o sistema. O coletivo me incentivou a ler muito mais sobre feminismo. Hoje a vontade de ajudar é imensa. Muito orgulho de ter feito parte de algo tão bacana que vai ajudar muitas mulheres. Com certeza foi só o começo”.

Fernanda Fregonesi

“O ELA para mim foi uma realização linda que eu achava impossível de acontecer a 5 anos atrás: juntar muitas meninas com o mesmo propósito, com a mesma paixão por cerveja, e conseguir tirar algo de produtivo da cerveja nacional, justamente com um fim (um propósito) tão bonito. Foi lindo, eu conheci a Marjorie na brassagem, conheci a cervejaria Dádiva e hoje trabalho lá, e conheci grandes amigas que eu vou levar para vida. É uma energia positiva, encontramos muito ombro amigo, muitas discussões profissionais. É muito bom pertencer a um grupo onde não discutimos a vida dos outros, nos discutimos algo maior, isso é muito legal. Uma troca muito boa com uma finalidade maravilhosa. É o início de algo gigante que eu imaginei que nunca ia sair do papel”.

E hoje, Dia Internacional da Mulher, o coletivo ELA faz um convite para as mulheres que estiverem no Festival Brasileiro da Cerveja, que terá entrada gratuita para todas nesse dia 08, e queiram conhecer o trabalho delas. As meninas irão se reunir em frente ao palco do pavilhão 02 a partir das 20h30, para conversar, trocar ideias sobre o mercado e suas preocupações. Como o projeto atua em vários estados, os eventos cervejeiros são uma oportunidade para todas se conhecerem e também para quem quiser conversar e ajudar o ELA.

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Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas. Leia mais sobre ele aqui e conheça oClube BarDoCelso.com aqui.

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