As minhas poucas recentes aventuras cinematográficas

Com a correria de ultimamente, estou com pouco tempo até para o mais imprescindível: ir ao cinema. Acho que posso me considerar um cinéfilo, mas não do tipo que decora o nome de todos que participaram de um filme – até porque minha memória não ajuda nada -, ou faz listas dos cinco melhores filmes em diversas categorias. Sou um apaixonado pela sétima arte pois gosto de ver filmes. Isso me basta.

Acho que nos últimos dois meses vi apenas três títulos, o que é uma média muito baixa para meus padrões. Segue abaixo os comentários:

Simpsons

Os Simpsons – O Filme” é um filme que, sinceramente, não sei por que fui ver. Não, não estou falando da qualidade, mas do motivo real que me levou a escolher ele, e não outro.

De qualquer forma acho que a cena inicial resume bem o que é o desenho. O filme começa com a família Simpson no cinema, assistindo um desenho de “Comichão e Cocadinha”. Lá pelas tantas, Homer levanta e diz que não sabe por que está pagando para ver na telona algo que poderia assistir de graça na televisão, em casa. Preciso dizer mais algo?

De fato, o filme não é nada muito diferente do que vemos na televisão. Além disso, até perde em alguns quesitos, como na acidez crítica de alguns episódios e em ser politicamente correto demais em relação a série. Mas tem lances impagáveis, como Homer fazendo um porco desfilar pelo teto da casa ao som de uma paródia da música tema do seriado original do Homem-Aranha.

Enfim, nada para ser levado a sério.

O Passado

No início do mês fui conferir “O Passado”, mais recente produção do cineasta Hector Babenco. Não é à toa que o filme não tem sido muito comentando na mídia – pelo menos não o bastante, em se tratando de uma produção de um dos maiores cineastas do Brasil. Ninguém sabe ao certo o que dizer. Essa é a minha teoria.

Já vi textos falando sobre a carreira do Babenco, sobre a produção do filme – uma adaptação do romance homônimo do escritor e jornalista argentino Alan Pauls – e até sobre a possível preferência do diretor por Rodrigo Santoro no papel principal. Pelo que entendi, como o brasileiro não estava disponível, ele levou Gael Garcia Bernal. A meu ver, uma troca com muitas vantagens – nada contra o Santoro, mas o papel era muito melhor para o mexicano.

O fato é que não se trata de um filme fácil. É intimista, e não deve ser interpretado com olhos realistas demais. É sedimentado sobre o simbolismo. Claro, só fui perceber isso depois de ter visto o filme e lido alguma coisa sobre ele.

Bernal interpreta Rimini, um tradutor que se casa muito jovem com Sofia. Após 12 anos, eles decidem se separar. A segurança desse ato logo se transforma em dúvida, e Sofia passa a procurar Rimini constantemente. Ele, que não é nenhum santo, evita a ex-esposa, mas não dispensa.

Nesse ínterim, dois relacionamentos de Rimini são destruídos pela intervenção de Sofia, cada vez mais louca. Vera, uma ciumenta modelo e a primeira namorada após a separação, morre atropelada após presenciar um beijo forçado de Sofia em Rimini. Já Carmem, com quem o protagonista tem um filho, pede a separação logo após Sofia seqüestrar o menino. Se fosse para dar uma definição superficial, diria que o filme trata de mulheres loucas e homens patetas.

É um pouco disso sim, mas obviamente não dá para reduzir desta forma. Há toda uma simbologia com as fotos do casamento, que ficam com Sofia desde o começo do filme. Isso tudo também remete a uma reflexão sobre o passado, algo que nunca se pode apagar. A partir daí, as interpretações começam a ser mais subjetivas, e é justamente esse o “charme” da coisa. Cada um que elabore a sua versão.

1408

Sim, estava com preguiça de pensar e fui ver “1408”. Não é ruim. Mas também não é excepcional. Se tivesse estrelas para dar, pendurava duas e meia numa escala de cinco. É uma boa diversão. Fato surpreendente mesmo é como os roteiristas e diretor conseguem arrumar a bagunça que fazem com a historia ao longo do filme num final simples.

A fita conta a história de um romancista frustrado, Mike Enslin (John Cusack), que atualmente escreve um livro sobre quartos de hotel mal-assombrados. Todos os anteriores foram na mesma linha. Porém, o detalhe é que Enslin é completamente cético, e não encontrou nenhuma prova que realmente existam fantasmas ou vida após a morte. No entanto, como capítulo final do livro, ele decide visitar o quarto 1408 do Dolphin Hotel, em Nova York. Várias mortes já ocorreram no cômodo, e o mistério é grande em torno dele.

Até dá para se assustar, mas você ainda vai conseguir dormir à noite.

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Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas. Leia mais sobre ele aqui e conheça oClube BarDoCelso.com aqui.

3 comentários em “As minhas poucas recentes aventuras cinematográficas”

  1. Celso! Fantástico o seu texto d’o passado’!!
    Tinha pensado em ver o 1408 mas fiquei com medo (vi o trailer na net.. hehe…achei q não ia dormir a noite) e fui com a Pri ver o Passado..!
    Gostei muito, mas gostei mais ainda da sua resenha: Clara e completa, esclareceu muito do filme pra mim… realmente, sai sem saber como resumi-lo, só dizia: vá ver, é bom e estranho…
    Seu texto solucionou meu problema ao encontrar o ponto de equilíbrio e sanidade nesta estranheza toda!
    Parabéns…
    (ok, esse comment não me safa de ir tomar uma cervejinha contigo..sei que continuo devendo..hehe)

  2. Sandro, obrigado pelos elogios, mas não é para tanto. Ainda bem que você reconhece que todos esse elogios não te livram do nosso compromisso etílico. Estou no aguardo, para que possamos discutir pessoalmente esses filmes (aceito contribuições por aqui também). Abraços

  3. Mais do que retratar o passado que não se apaga os personagens Rimini e Sofia de “O Passado” tentam reter as impressões do que foi o primeiro amor. Ele procurando tais impressões em outros amores, ela agarrando-se em uma impossível volta e em fotos que resumem as lembranças da relação.
    Por isso não acho que o filme fale de “mulheres loucas e homens patetas”, acho que fala de pessoas com suas imperfeições e principalmente sobre a frustração que é insistir em reter o passado (o que é impossível).
    Esta reflexão me faz lembrar Cecilia Meireles com os seguintes versos do poema Motivo. “Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa.”
    Acho que é isso… acho que já fui longe damais… hehehehe
    Beijos

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