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O dia em que encontrei a Devassa

By 14/05/2007abril 18th, 20203 Comments

Era um dia como outro qualquer. Não havia nada de especial. Acabamos combinando com um casal de amigos de ir num bistrô, muito legal por sinal. Sim, eu estava acompanhado. E, por incrível que pareça, isso não foi problema.

Na frente das respectivas namoradas meu amigo me apresentou ela, a Devassa. Inicialmente não soube bem o que fazer… fiquei olhando para o cardápio, pensando se devia. Foi quando minha namorada disse:

– Vai, pega.

Fiquei pensando naquela silhueta suada, apetitosa, e não resisti. Mesmo com minha namorada do lado (e já que ela estava incentivando), chamei o garçom e pedi:

– Me vê uma ruiva!

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A cerveja Devassa (sim, é uma cerveja. O que vocês pensavam?!) é um caso sério de marketing bem resolvido e bebida de boa qualidade.

Carioca da gema (como quase todas as recentes iniciativas etílicas-cervejeiras do Brasil), a cervejaria Devassa foi criada pelos idos de 2002 no Rio de Janeiro pelos empresários Cello Macedo, Macedo e Joca Muller, todos já donos de baladas e bares no estado. Foi um investimento de R$ 1 milhão aproximadamente numa fábrica no bairro de Santo Cristo, que distribui chope para os vários bares da Devassa no Rio.

A questão é, ao que parece, que os negócios estão se expandindo. Com produção inicial 30 mil litros por mês, a fábrica deve estar chegando agora perto (se não já passou) da produção máxima, de 55 mil litros. Foram abertas filiais da rede de bares em São Paulo e o chope virou cerveja, distribuída em charmosas long necks.

Com o slogam “um tesão de cerveja”, diferente do que parece, o marketing da empresa não é nada vulgar. A produção visual tem um certo “q” de clássico, com uma mulher trajando um biquíni das antigas no rótulo.

A bebida

Claro, não poderia deixar de descrever a impressão desta cerveja “saidinha”. Experimentei a ruiva, uma Pale Ale (assim com a britânica Newcastle). Ela é encorpada e cremosa, com um sabor mais amargo que a companheira inglesa, que é bem docinha.

Em outra ocasião peguei uma morena (com o perdão do trocadilho). No rótulo, estava escrito Tropial Dark, mas sinceramente não sei o que isso quer dizer. Me parece uma Dark Ale (vi em algum lugar escrito Dark Larger, mas também não sei a diferença). Igualmente cremosa, ela não é tão encorpada ou forte como a Pale Ale, e desce mais suave do que eu imaginava. Ambas são muito gostosas.

Não cheguei a experimentar a terceira da linha, a loira (Pilsen). Essa fica pra outra hora, mas acredito que também seja bem cremosa.

Mesmo com tudo isso, um amigo que chegou a tomar a chope cru (ao contrário da cerveja, sem pasteurização) em São Paulo me contou que a versão engarrafada nem se compara à bebida tirada na hora. “O creme dá pra comer de colher”, disse. Deixa eu parar que já estou babando…

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas

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