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Chopp ou cerveja? Entenda a diferença

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Qual é a diferença entre chopp e cerveja? Alguns podem responder que chopp vem em barril e cerveja na garrafa. Ok, normalmente isso acontece mesmo. Mas será que é só isso? Como vamos ver, tem muito mais entre a produção e o serviço do que crê nossa vã filosofia!

Primeiro, cabe entender que chopp e cerveja, no aspecto de produção, técnico, são a mesma bebida. Muitas vezes, são feitas no mesmo lote, mesma brassagem, mesma fermentação e mesmo tanque. Não há diferença nenhuma de processo, nem na dosagem do lúpulo, quantidade de malte ou água.

Quer dizer, aqui no Brasil há uma pequena diferença no final de tudo isso. E é a única. Com a bebida já pronta, ela pode ou não passar pelo processo de pasteurização. Essa é a chave.

O termo chopp usado no Brasil é definido por Lei: “A cerveja deverá ser estabilizada biologicamente por processo físico apropriado, podendo ser denominada de Chopp ou Chope a cerveja não submetida a processo de pasteurização para o envase”.

Ou seja, se a cerveja não passa por pasteurização, para fins de Lei, é Chopp!

Complicando um pouco mais

Mas o que é pasteurização? Trata-se de um choque térmico dado na bebida para eliminar os microorganismos e aumentar o prazo de validade. É um entre os vários processos de estabilização microbiológica da bebida possíveis. E é térmico. É feito por meio do aquecimento da bebida e seu posterior resfriamento à temperatura ambiente quantas vezes o mestre cervejeiro definir necessário. A partir daí, o prazo de validade será maior se comparado com a bebida não pasteurizada. Em contrapartida, alguns aromas e sabores podem ficar comprometidos. E aí é que são elas…

Hoje em dia, principalmente com o crescimento e popularização das cervejas artesanais, para preservar os sabores, muitas cervejas em garrafa não são pasteurizadas e apostam em outros métodos do conservação, como filtro microbiológico (mais caro e um processo físico de retirada dos microorganismos por meio de uma “peneira” bem fininha…), refermentação na garrafa ou mesmo sendo distribuídas em cadeia refrigerada.

Por outro lado, muito chopps, principalmente aqueles importados, acabam passando por pasteurização ou flash pasteurização – uma pasteurização rápida, feita em linha e diretamente no líquido não envasado antes de ser embarrilado -, que “danifica” menos o sabor e garante um prazo de validade um pouco maior para aguentar a viagem.

Tendo isso em vista, cabe questionar: realmente é a pasteurização que deveria definir o que é chopp ou cerveja?

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Complicando ainda mais!

Sim, nós temos uma Lei que deve ser obedecida. Mas tecnicamente é de se pensar. Ainda mais tendo em vista que nós brasileiros somos os únicos no mundo inteiro a utilizar o termo chopp e vincular isso à pasteurização da bebida.

Nos demais países cerveja vai ser sempre cerveja, mesmo se estiver em barril, latinhas ou garrafas. A única alteração são complementos, como draft ou draught beer, que no português significa sob pressão (tirada diretamente de barris), bottled beer – engarrafada e canned beer – enlatada.

Se pasteurizada ou não, é uma escolha do cervejeiro que a rigor nem precisa ser colocada no rótulo. A maioria das cervejarias artesanais do exterior não pasteurizam seus produtos.

Ou seja, tecnicamente e, principalmente, internacionalmente seria mais correto definir pelo tipo de serviço. Pasteurizado ou não, chopp é servido sob pressão. Ou seja, é aquela cerveja que é servida por meio de injeção de gás carbônico no barril, que empurra a cerveja para fora.

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E a palavra Chopp?

E como um termo que é utilizado apenas em um único país se torna tão popular? Na realidade a palavra está longe de ser brasileira. Chopp é uma adaptação da expressão alemã schoppe, que veio de um termo francês conhecido como chopine ou chopaine. Porém, não é mais utilizado desde o século XIX e, na verdade, não tinha como objetivo se referir à cerveja não pasteurizada. Os alemães usavam como referência para a unidade de volume – 500 ml de cerveja.

Então, não adianta chegar fora do Brasil e pedir um chopp. Provavelmente ninguém vai entender. Segundo estudos, em meados do século XIX imigrantes alemães trouxeram a palavra para cá. Eles tinham o costume de brindar com a cerveja dizendo “ein schoppen” que significa um schopen (unidade de volume). Os brasileiros adaptaram e a expressão “pegou”, e a legislação regulamentou.

 

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E os Kegs?

E quando não é barril, nem lata e nem garrafa? Sim, há outras formas de envase de cervejas. Uma delas são os Kegs. São pequenos barris, normalmente de aço inox, que vem com uma quantidade maior de cerveja do que garrafas suportariam.

A maioria deles tem só cerveja e uma torneira na parte inferior. Para “tirar” a cerveja, basta abrir e servir por gravidade. A desvantagem aqui é que uma vez aberto, o barril deve ser consumido inteiro, pois a cerveja entra em contato com o ar e pode estragar mais facilmente.

Especificamente o barril da Heineken é diferente. Ele tem uma “pistola” de gás carbônico dentro. Isso permite que, quando a alavanca é acionada e o gas disparado, você tire a cerveja por cima do barril e a bebida não entra em contato com o ar, fazendo com que mesmo após a abertura, ele dure mais.

Pela Lei brasileira, tudo isso passa por processos de pasteurização ou flash pasteurização. Ou seja, são considerados cerveja. Mas o método de tirar sob pressão oferecido pelo barril de Heineken, se olhado tecnicamente, poderia colocar o produto como chopp – e é vendido assim internacionalmente. Por conta da Lei, aqui no Brasil é dito que esse barril é cerveja servida como chopp, para que você tenha essa experiência em casa.

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Conclusão final

Como vimos, devemos, sim, considerar e respeitar a diferença estabelecida pela Lei. No entanto, é importante saber as diferenças técnicas mesmo. Diferenciar a cerveja pela pasteurização é algo que só acontece no Brasil. No exterior a diferenciação é pela forma de serviço.

Pasteurizar ou não é cada vez mais opcional e depende de inúmeros fatores. Alguns deles são manejados pelo cervejeiro. Outros, como distribuição e armazenamento, dependem de toda a cadeia.

A tendência atual é que cada vez mais tenhamos cervejas não pasteurizadas no mercado, para preservar ao máximo o sabor, seja em barril, lata ou garrafa.

No final das contas quem sai ganhando somos nós, cervejeiros, que estamos procurando por novas experiências e mais qualidade. Cheers!

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About Rafael Guglielmi

Rafael Guglielmi, jornalista e apaixonado pelo universo cervejeiro. Nas cervejas procura conhecimento e novas experiências. Por quatro anos dedicou-se em prestar serviços de relações públicas e assessoria de imprensa para cervejarias. Recentemente inverteu o lado e agora escreve para o Bar do Celso.

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