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“Como Carne” traz história de serial killer canibal para o palco

Pode parecer uma lenda, mas há quem diga que é verdade. Um serial killer atrai, mata e devora a carne de suas vítimas. Com os restos, fabrica lingüiças, que vende para pessoas da sociedade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Essa é a história de José Ramos, que o grupo Zerdax Cia. de Teatro traz ao palco com a peça “Como Carne”. A montagem, com direção de Andrei Moscheto (do grupo Antopofocus), estréia nesta quinta-feira (6) no Teatro Espaço Regina Vogue, no Shopping Estação.

Divulgação/Nume Comunicação / Montagem se baseia no imaginário popular de história que teria acontecido no século 19.Os relatos dão conta que a história aconteceu no século 19, mais precisamente em 1864, e ganhou contornos de lenda urbana. Ela foi transmitida de forma oral e carece de documentação. No entanto, isso não é empecilho já que o grupo e Moscheto pretendem basear o enredo no imaginário popular. “Quando eu peguei o projeto a gente começou a fazer uma pesquisa e, em vez de ficar falando sobre o bem e o mal, começamos a discutir o que era fato ou não. Mesmo nos registros históricos há coisas que não são muito contundentes”, explica o diretor, conhecido pelo trabalho com comédia. “Se alguma coisa do meu trabalho de humor vai de encontro com a questão é o fato de trabalhar com outras perspectivas”, completa.

A peça foi encomendada pelo grupo, que trabalha com diretores convidados, com base na peça de Edson Bueno “Açougue, Canibais e Lingüiça”. O diretor, então, escreveu um novo texto, considerando a história de Bueno e o livro “O Maior Crime da Terra”, do gaúcho Décio de Freitas, que trata do caso também conhecido como “Crimes da Rua Arvoredo”. A peça percorre os principais fatos da história, os sentimentos do protagonista, a ação da polícia e até as providências tomadas pelas autoridades para evitar que o canibalismo de José Ramos viesse à tona. Não pelo bizarro do caso, mas para proteger membros da sociedade porto-alegrense que apreciavam as lingüiças fabricadas pelo assassino.

Divulgação/Nume Comunicação / Serial killer atraia, matava e devorava a carne de suas vítimas. Com os restos, fabrica lingüiças.Quanto ao gênero, Moscheto conta que é uma questão complicada. “A gente chama de tragicomédia contemporânea com retoques de surrealismo. Mas eu espero que as pessoas consigam definir como teatro. Eu já ficaria bem feliz”. A peça procura uma estrutura que não seja plana, semelhante a um sonho. Mas, mesmo com uma história não linear e elementos de metateatro, o público médio deve conseguir acompanhar a peça sem problemas.

O elenco é formado por Ade Zanardini, Luiz Brambilla (que também é o produtor da montagem), Manoela Reichmann, Fernanda Magnani, Livia Zeferino, Simone Hidalgo e Wagner Jovanaci. A peça deve permanecer em cartaz no Regina Vogue até 23 de setembro. No dia 28 de setembro o espetáculo será transferido para o Teatro Barracão EnCena, onde fica até 28 de outubro.

Serviço: “Como Carne”. De 6 a 23 de setembro no Teatro Espaço Regina Vogue (Avenida Sete de Setembro, 2.775, Shopping Estação). Tel. (41) 2101-0893. De quinta-feira a sábado, às 21 horas, e aos domingos, às 19h. Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50 (estudantes e classe artística).

[Peço perdão aos amigos leitores, mas com a correria dos últimos dias só resta aproveitar o material já produzido no trabalho. Pelo menos não deixei ninguém sem ter o que ler e a dica é quente.]

Texto originalmente publicado na Gazeta do Povo Online.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas

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