Festival Brasileiro da Cerveja 2016 – parte 1

O primeiro dia do Festival Brasileiro da Cerveja foi marcado por muita cerveja boa e um público bem acima do esperado. As filas para compra de ingressos estavam relativamente grandes,o movimento nos pavilhões era intenso, mas tranquilo.  Mesmo com o Mapa das Novidades em mãos, foi complicado escolher o que provar com tantas opções interessantes.

Como nosso objetivo é sempre ajudar nosso amigo leitor, fizemos uma breve seleção das cervejas provadas que valem ser degustadas. Lembrando que não queremos ser injustos com nenhum rótulo, mas é impossível provar todas. Os preços também estão salgados, então planejamento é fundamental.

Confira as indicações do primeiro dia do Festival Brasileiro da Cerveja:

– Bodebrown – As filas são sempre grandes nos estandes das cervejarias mais populares. Mesmo assim, a paciência é recompensada. Foi o que aconteceu ao provar a Ice-Perigosa, uma Imperial IPA que passa por processo de congelamento, semelhante ao aplicado em Eisbocks, e chega a 23% ABV. Os lúpulos, no aroma, sabor e amargor, ficaram no gelo, com certeza, e a cerveja final tem fortes e complexas notas de malte. O álcool fica nítido, mas muito bem inserido. Uma cerveja excepcional.

Outra super dica é a Atomga Cherry, uma Russian Imperial Stout com cerejas maturada em barris de carvalho. Notas de chocolate, cacau e cereja dominam, com álcool bem inserido e muito bem equilibrada com as notas de madeira. Fantástica.

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– Tupiniquim Saison Au Vin (C20), uma Saison envelhecida em barris de vinho do porto, com 6,8% de graduação alcoólica. Absurdamente aromática, as notas amadeiradas e do vinho fazem um perfeito casamento com o estilo Saison. Vale a prova e repetir a dose.

– Sour BarleyWine  da Jokers. (C15) Para quem gosta de cervejas com bastante acidez, pode se aventurar nessa experiência muito bem sucedida da Jokers. São 9% de teor alcoólico que passam despercebidos. Apenas um barril, então é preciso correr.

– Leopoldina Old Strong Ale, essa cerveja passa 8 meses maturando em barricas de carvalho francês, o que a deixou muito equilibrada, com notas evidentes de madeira, sem perder o dulçor do estilo. Vale pedir uma dose para degustação.

–  Ogre Beer Gengibier – Primeira Ginger Beer do Brasil, com apenas 3,4% de álcool, ela é extremamente refrescante. O gosto do gengibre é bastante evidente, mas por ter baixo corpo e ser pouco alcoólica, ele não fica enjoativo.

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–  Ogre Jacu ao Quadrado – Essa delícia que é a Jacu do Mato, uma Malt Liquor, agora recebe grãos do exótico café Jacu, aquele que o passarinho come os grãos e…

– Tonka – Essa belezinha feita para Fantôme em parceria com a Morada Cia Etília é um ótimo exemplar de como a Saison pode ser versátil. Tem 8% ABV além de Jambu, Cubeba, Iquiriba, Puxuri, Cumaru-tonka e Amburana. Não perca!

– Insana Coffee IPA – Você quer mais café? Então toma. Essa é uma Coffee Beer que, mais do que IPA, traz muito de café. Quem curte café não pode perder.

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– Backer Julieta, uma witbier com frutas vermelhas experimental que levou medalha de ouro na categoria experimental. Segundo o cervejeiro as frutas vermelhas são adicionadas em várias fazes do processo. Cor no copo ficou muito bonita, e o sabor das frutas vermelhas está muito bem inserido no estilo.

– Backer Reserva do Proprietário – Premiada na categoria experimental de melhor cerveja, essa Old Ale não é vendida. No entanto, conseguimos negociar com o próprio proprietário. Uma Old Ale complexa e muito gostosa.

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– Weird Barrel – Provamos os lançamentos Tack, uma Summer Ale com dry hopping de Citra, e a Klaus, uma Weizenbier com fermento belga (o pessoal da cervejaria está chamando de Abbey Weiss) e dry hopping de Sorachi Ace. A segunda realmente se destaca muito, ficando muito interessante e equilibrada, sem o dulçor frutado de banana ou cravo do estilo original.

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– Bier Hoff – Eclipse e Druida, a primeira uma Dark American Wheat Beer e a segunda uma Quadruppel, estão muito boas. O estilo da primeira já é inusitado e fica deliciosamente refrescante. Já a segunda está bastante complexa e vale a visita no estande dos curitibanos.

– Landel Cafetina – Essa English Brown Porter está deliciosa. Feita com grãos de café arábica, tem notas intensas de café e rica em maltes, lembrando até mesmo chocolate. Está disponível em latas, assim como sua irmã Session American IPA. Vale a pena provar.

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– Suméria/Lund Lion Polski – Resgate histórico de um estilo polonês do século 16, a Grodziskie é um tipo de cerveja feito com 100% malte de trigo defumado em carvalho, porém bastante leve, carbonatada e refrescante, com toques defumados medianos e nítidos. É assim a cerveja feita pela Suméria em parceria com a Lund. Um clássico que foi premiado com medalha de ouro esse ano no seu estilo no concurso do Festival Brasileiro da Cerveja. A ideia de fazer essa cerveja no Brasil foi de um grupo de cervejeiros que estão juntos no Projeto Grodiziskie Brasil e desenvolveram a receita, feita originalmente pelo cervejeiro Evandro Zanini em parceria com o pessoal do Formosa Pub, com apoio da Cervejaria Insana, Wensky e BarDoCelso.com.

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– Way Beer Gose – Estilo tradicional de Ale alemã ácida e salgada, ficou fantástico feito pelas mãos do cervejeiro Alessandro Oliveira. Mais do que o esteriótipo exótico dessa cerveja, o que marca é o equilíbrio e alto drinkability.

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Luís Celso Jr.

Luís Celso Jr. é jornalista e sommelier de cervejas premiado. Também é professor, juiz e consultor de cervejas. Leia mais sobre ele aqui e conheça oClube BarDoCelso.com aqui.

1 comentário em “Festival Brasileiro da Cerveja 2016 – parte 1”

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