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Tá com frio? Quentão

Com esse frio dos últimos dias, que chegou a temperaturas negativas aqui em Curitiba, nada melhor do que o bom e velho quentão. Bebida típica dos festejos juninos, esse hot drink esquenta corpo e anima a alma se bem preparado. Além disso, é um ótimo acompanhamento para pipoca, milho, pé-de-moleque, pinhão e um bom papo.

O quentão é um parente do grog europeu e, segundo reza a lenda, chegou ao país com as navegações portuguesas durante o ciclo econômico da cana-de-açucar. Na falta de outro destilado para preparar o dirnk e espantar o frio –no Nordeste, realmente não sei que frio é esse que precisava até de quentão–, os marujos usavam a boa e velha cachaça. Claro, que deve ter dedo dos negros nessa mistura tipicamente brasileira, afinal foram eles que trouxeram o gengibre para o país, item essencial da bebida. Para completar, açúcar.

Essa é a forma mais básica e tradicional da bebida. No entanto, muita coisa mudou até hoje e há inúmeras variações. Aos poucos foram acrescentadas outras especiarias à mistura, como o cravo e a canela em rama. Há quem diga que também se deve acrescentar cascas de frutas cítricas (limão, laranja e até tangerina). Outros dizem ainda que o bom é colocar frutas mesmo, como maça e outras, ao gosto do freguês.

Aqui no Sul quentão leva vinho, e é confundido freqüentemente com o que é chamado de vinho quente em outros estados. Nosso quentão leva vinho além da cachaça. Vinho quente não tem cachaça e está mais para um ponche, pois também leva frutas. De qualquer forma, os suspeitos dessa mistura são os italianos, que aportaram principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país a partir do final do século 19.

Talvez o costume do vinho quente seja algo freqüente na Itália daquela época, e quando chegaram aqui misturaram também a cachaça. Ou talvez seja apenas uma coincidência. O fato é que o insight tem lógica. O grog, a bebida quente de que eu falei antes, é preparado com Cognac, que nada mais é do que destilado de vinho temperado com especiarias.

De qualquer forma, assim como na caipirinha, várias receitas de quentão são aceitas, cada uma com suas variações. Qual é a sua? Comente. Abaixo, deixo duas. Uma de quentão tradicional, outra de quentão do Sul (com vinho). Ambas são preparadas em grande volume –afinal, são bebidas quase folclóricas para se beber em festa, com bastante companhia. Chame seus amigos e bom proveito.

Quentão tradicional

– 1 garrafa (aprox. 600ml) de cachaça;
– a mesma medida de água;
– 500 g de açúcar;
– 50g de gengibre picado;
– 6 cravos ou a gosto;
– 3 ramas de canela ou a gosto;
– casca de duas laranjas;
– casca de um limão.

Modo de preparo

Numa panela caramelize levemente o açúcar. Após, adicione a água, a canela, os cravos e as cascas de frutas. Faça uma espécie de um chá. Quando levantar fervura, abaixe o fogo e cozinhe entre 10 e 20 minutos, para soltar bem o gosto dos ingredientes na mistura. Retire do fogo e adicione a cachaça. É importante retirar do fogo, senão há risco de incendiar o fogão.

Logo após, coloque novamente a bebida no fogo até levantar fervura e sirva. Caso prefira, passe a mistura num filtro de papel para retirar os pedaços dos ingredientes antes de servir.

Quentão com vinho

– 1 garrafa (aprox. 750 ml) de vinho tinto suave;
– a metade da medida de água;
– 1/4 de garrafa de cachaça, ou a gosto;
– 1 xícara de açúcar (1/2 xícara se o vinho for muito doce);
– casca de duas laranjas;
– casca de um limão;
– 50g de gengibre picado;
– 6 cravos ou a gosto;
– 3 ramas de canela ou a gosto;

Modo de preparo

Siga os mesmos passos da receita anterior. Quando o chá estiver pronto, adicione o vinho e aqueça até levantar fervura. Em seguida, retire do fogo e adicione a cachaça. Leve ao fogo novamente até levantar fervura.

Em tempo: a proporção da bebida depende muito do gosto. Quem prefere mais forte, pode acrescentar até meia garrafa de cachaça para cada garrafa de vinho.

Dicas

– Use cachaça da branca: a amarelada normalmente é envelhecida em tonéis de madeira, e pode deixar o gosto um pouco alterado;
– Gengibre: quanto menor os pedaços, mais gosto da raiz fica na bebida.
– Frutas: procure não usar as partes brancas (internas) da casca do limão e da laranja. Elas amargam a bebida.

Em breve, mais receitas de hot drinks para este inverno que promete ser longo e gelado.

About Luís Celso Jr.

É jornalista, sommelier, juiz e consultor de cervejas. Fundou o BarDoCelso.com em 2006 e desde então se especializou cada vez mais, sendo hoje um dos principais e mais experientes profissionais do Brasil. Ficou em 3º lugar no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cerveja, em 2014, e 6º nas duas edições seguintes. Foi um dos representantes do Brasil na 4ª edição do Campeonato Mundial de Sommeliers em 2015. Saiba mais sobre os serviços do BarDoCelso.com ou sobre o Celso .

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